Poesia


 SONETO DO AMOR SEM NOME
Leopoldina Corrêa


Eu tenho dois homens,
Dentro dos meus castelos,
Um é o Paulo Marcone
O outro o Fernando Marcelo.


Meus dois filhos,
Meus dois elos.
Um amor que não tem nome
E o que eu tenho por mais belo.


E passo na  estrada que trilho,
Por este amor de mãe e filho,
Por todo e qualquer duelo.


Sem nome e sem sobrenome,
O amor de mãe é o nome,
Do amor sem paralelo.


                        *****











SONETO DANÇANTE
Leopoldina Corrêa


Quem entra na dança,
Pra vida se lança,
De ponta-cabeça,
Na ponta dos pés.


E feito eterna criança,
Se joga,  se alcança,
No quebra-cabeça,
Da trama dos pés.


Levita e levanta,
Na leveza da alma,
Que nem os colibris.


Se inventa e se encanta,
Se agita e se acalma,
E se faz mais feliz.
                          *****

 
SAUDADES DO FUTURO
Leopoldina Corrêa


Minha mente se perde em pensamentos,
Na noite, na cama, no escuro.
Te seguro,
Mas você não está aqui.


Contínuo ordenar de sentimentos,
Teu rosto, teu dorso, teu corpo.
Me seguro,
Você não está aqui.


Amanhã vou acordar,
Mais um dia, uma noite, uma vida
Vivida no futuro,
Porque você não está aqui.
                        *****



QUANDO EU ENTRO MAR
Leopoldina Corrêa


Quando eu entro no mar,
Eu me entrego de dorso,
De alma e de corpo,
Ancorando no porto
Aonde se guarda
O que não se deve lembrar.


Quando eu entro no mar,
É no seu rebuliço,
Que eu me espreguiço,
E de novo me atiço,
Me deixando abraçar,
Pelos braços do mar.


Quando eu entro no mar,
Me elevo ao cúbico,
Me movo de súbito,
De qualquer decúbito,
Me deixando beijar,
Pelos lábios do mar.


Quando eu entro no mar,
E me afasto da margem,
Na líquida imagem,
Desfruto a paisagem,
Olhando a cidade,
Pelos olhos do mar.
                  *****



ENTRE O CÉU E O MAR
Leopoldina Corrêa


Por uma asa gigante,
Entre o céu e o mar,
Ao sabor do vento,
Me deixo levar.


Corrente de ar flutuante,
Em celeste patamar,
Eternizando momento,
A me embalar.   

Como uma Ícara,
Por vontade cálida,
Em dia de ventania.


Na imagem líquida
Que se fará sólida,
Pela fotografia.


            *****


 
AMOR AO MAR
Leopoldina Corrêa


Amigo, querias uma música,
Versando sobre nossa paixão,
Para nossa alma lúdica,
Se guardar na canção.


Querido amigo Raimundo,
Nosso amor sem dimensão,
Por nosso abrigo segundo,
É muito mais que devoção.


É  abrigo,
Feito pra se brincar,
No convívio matinal.
Em nenhum outro lugar
Há um acalanto igual.


E digo,
A paixão que me refiro,
É Impossível mensurar,
É o ar que eu respiro,
Nossa paixão pelo mar.


15.06.2010


            *****
PAISAGAENS PESSOAIS
Leopoldina Corrêa


A mente dos poetas viaja
Por aventuras imaginárias,
Buscando e rebuscando versos e rimas,
Construindo e destruindo o Universo
De suas paisagens pessoais.


Consumindo-se em prazeres e perigos,
Na própria percepção de uma liberdade,
Talvez, objetiva demais,
Que só seus poemas tragam-lhes à realidade,
Do seja guerra e do que seja paz.


Vivemos em pé-de-guerra,
Às vezes nos atirando
Às vezes nos defendendo.
Parece que não merecemos
A trégua de todos os mortais,
Ou nos odiamos muito,
Ou nos amamos demais!


            *****



DO AMARGO PARA O DOCE
Leopoldina Corrêa


Pelas asas da poesia,
Viajo por tantos mundos,
Mundos de tormentas,
Mundos de bonanças,
Mundos e mundos
Sem tirar os pés do chão.


Entre o real e a fantasia,
Num universo muito particular,
Converso com meus versos
E nos sons do seu silêncio,
Respiro as suas dores,
Onde minhas dores estão.


Às vezes sem opção,
Me vejo aprendendo,
A decidir sem hesitar,
Entre lágrimas e sorrisos,
Decisidos e precisos,
Sem sair meu do lugar.


Então, tomo a decisão,
De buscar na alquimia,
Como se possível fosse,
A química de transformar
Do amargo para o doce,
A fórmula de libertar.


            *****



COMO ANTES
Leopoldina Corrêa


Já não penso mais você
Como antes saberia
Já não quero mais você
Como antes não queria.


Já não sinto mais você
Como antes não devia,
Já não sei mais de você
O que apenas bastaria.


Agora... eu sei de você,
O que antes não sabia,
Agora eu sinto em você,
O que antes não sentia.


Agora que eu sou de você,
Mais do que estava escrito,
Me faz ser o seu amor,
O meu amor mais bonito.


            *****


POESIA DA LINHA
Leopoldina Corrêa

Numa colcha de crochê
Cada ponto é uma letra,
Palavras feitas de linha,
Traçados e silhuetas
No desenho que termina,
Com flores e borboletas.

Feito filme no cinema
De verdade e fantasia,
No tema do meu poema,
No eixo e na harmonia,
O motivo que faz a cena,
É o nosso dia-a-dia.

Minha colcha de crochê,
Por si só é um poema,
Bem difícil de se ver.
Minha poesia de linha,
Era um tema que eu tinha
Que escrever pra você.

            *****
PELOS OLHOS DO MEDO
Leopoldina Corrêa


Meus dedos ficariam mudos,
Minh'alma talvez se congele,
Na ausência do conteúdo,
Do calor da tua pele.


Minhas mãos perderiam a função
Sem percorrer o seu colo,
Sem os acordes da paixão,
Do silêncio do teu solo.


Meus olhos ficariam surdos
Sem teu tom extrovertido.
Outros sons soariam absurdos
A procura de um sentido.


Minha boca secaria o tato
Sem o contato com teu gosto,
Um preço bastante alto
Pelo real pressuposto.


Seria bem fácil me definir,
Se não fosse o meu querer,
Difícil seria existir,
Ou viver sem ter você.


        *****


DOCES DESENCONTROS
Leopoldina Corrêa


A cada um dos nossos desencontros
Quebramo-nos em pedaços indivisíveis
Encontramos-nos com os nossos monstros
Dos mais implacáveis aos mais irredutíveis...


Fechamos-nos como conchas
Sem, sequer, uma brecha extra,
Polindo com o lixo que incha
A pérola  dentro da ostra.


Como em nós tudo é fatal,
Tamanho que não tem medida,
Logo acendemos  o sinal,
Das nossas vidas mal vividas.


            *****



ADEUS
Leopoldina Corrêa

Ando, de um canto pro outro.
Canto, um canto tonto.
Me calo, não falo um ponto.

Tento, levanto me sento,
Penso, um pouco de alento.
Choro, um pouco me isento.

E canto, um canto de ateus.
Me canso, os sonhos são meus
E são seus : adeus!

            *****


EU QUERIA
Leopoldina Corrêa

Eu queria que você morresse,
Queria que você sofresse, 
Que você impludisse,
De tanto amor por mim.

Eu queria que você vivesse,
Que você acordasse,
Que você dormisse,
Sempre pensando em mim.

Eu queria ser sua Mona Lisa,
Queria sua presença precisa,
Por todos os cantos de mim.

Mas eu era só uma menina,
Uma menina assassina,
Uma assassina de mim.

09/11/2009

            *****

MÚTUA LEALDADE
Leopoldina Corrêa

Não conheço ninguém
Que não tenha sido,
Um dia, um feto.

Não conheço ninguém
Que não tenha tido,
Um dia, um afeto.

E não conheço ninguém
Que não tenha dito,
Um dia, um veto.

Nós vetamos de nós,
As mais íntimas vontades,
Mas não estamos sós,
Dentro desta realidade.

Não vetamos de nós,
A nossa cumplicidade,
Nem o som da nossa voz,
Nem a nossa lealdade.

            *****


RENDIÇÃO
Leopoldina Corrêa

E assim, de forma lúdica,
Nas Maravilhas de Alices,
Balas e algodão-doces,
Minha vida foi parar nas suas mãos.

E assim, de forma lúcida,
Entre mimos e tolices,
E ciúmes agridoces,
Minha vida foi parar nas suas mãos.

E contando assim nos dedos,
Entre idas e vindas,
Por vezes infindas,
Me rendi aos seus apelos.

E assim, de forma adulta,
E lúdica porém, lúcida,
Me rendo mais uma vez:
estou fugindo da luta.

            *****

ME ACORRENTA
Leopoldina Corrêa

Você me encanta.
Na sua alegria,
Na sua delicadeza,
Me envaidece,
Me levanta...

Me agiganta
Na sua valentia.
Na sua beleza,
Me abastece,
Me acalanta...

Me alimenta
Com sua poesia,
Com sua leveza,
Me arrefece,
Me acorrenta...

            *****

FREE SOULS IN LOVE
Leopoldina Corrêa

Se da sua alma feliz,
A minha alma é gêmea,
Não poderá existir,
Mais delicada algema.

Se a minha vontade é a sua,
A sua a minha se soma,
E as nossas duas línguas,
No mais que perfeito idioma.

No seu passo de aventura
Seguiremos a mesma linha,
Se for pra cometer loucura,
A sua loucura é a minha.

Se cumprido à risca a sina,
Ser seu amor mais intenso,
Seu amor me contamina
No que faço e no penso.

            *****

SE VOCÊ FOSSE
Leopoldina Corrêa

Se você fosse a música
Eu seria as suas notas musicais.
Se você fosse a notícia
Eu seria os seus jornais.

Se você fosse a dança
Eu seria o seu ritmo,
Se você fosse criança
Eu seria o seu íntimo.

Se você fosse o segredo
Eu seria a tatuagem
Enquanto fosses medo
Eu seria a coragem

Eu seria a sua claque
Se você fosse a cena,
Enquanto fosses uma
Eu seria uma centena.

            *****


FORA DO SEU PLANETA
Leopoldina Corrêa

Vou guardar minha caneta,
Lápis, agendas e papéis,
Cadernos e cadernetas
E tintas de tons pastéis.
Vou arrancar as etiquetas
Dos seus e dos meus anéis.

Vou trancar numa gaveta
Esta minha vida de agora.
Guardar o estilo careta
Numa caixa de pandora.
Me mudar do seu planeta,
Justo pro lado de fora.






A poesia, ou gênero lírico, é uma das sete artes tradicionais, pela qual a linguagem humana é utilizada com fins estéticos, ou seja, ela retrata algo que tudo pode acontecer dependendo da imaginação do autor como a do leitor. "Poesia, segundo o modo de falar comum, quer dizer duas coisas. A arte, que a ensina, e a obra feita com a arte; a arte é a poesia, a obra poema, o poeta o artífice."[1] O sentido da mensagem poética também pode ser", ainda que seja a forma estética a definir um texto como poético. A poesia compreende aspectos metafísicos (no sentido de sua imaterialidade) e da possibilidade de esses elementos transcenderem ao mundo fático. Esse é o terreno que compete verdadeiramente ao poeta.[2]
Num contexto mais alargado, a poesia aparece também identificada com a própria arte, o que tem razão de ser já que qualquer arte é, também, uma forma de linguagem (ainda que, não necessariamente, verbal).

Índice

História

A poesia como uma forma de arte pode ser anterior à escrita.[3] Muitas obras antigas, desde os vedas indianos (1700-1200 a.C.) e os Gathas de Zoroastro (1200-900 aC), até a Odisseia (800 - 675 a.C.), parecem ter sido compostas em forma poética para ajudar a memorização e a transmissão oral nas sociedades pré-históricas e antigas.[4] A poesia aparece entre os primeiros registros da maioria das culturas letradas, com fragmentos poéticos encontrados em antigos monolitos, pedras rúnicas e estelas.
O poema épico mais antigo sobrevivente é a Epopeia de Gilgamesh, originado no terceiro milênio a.C. na Suméria (na Mesopotâmia, atual Iraque), que foi escrito em escrita cuneiforme em tabletes de argila e, posteriormente, papiro.[5] Outras antigas poesias épicas incluem os épicos gregos Ilíada. e Odisseia, os livros iranianos antigos Gathas Avesta e Yasna, o épico nacional romano Eneida, de Virgílio, e os épicos indianos Ramayana e Mahabharata.
Os esforços dos pensadores antigos em determinar o que faz a poesia uma forma distinta, e o que distingue a poesia boa da má, resultou na "poética", o estudo da estética da poesia. Algumas sociedades antigas, como a chinesa através do Shi Jing (Clássico da Poesia), um dos Cinco Clássicos do confucionismo, desenvolveu cânones de obras poéticas que tinham ritual bem como importância estética. Mais recentemente, estudiosos têm se esforçado para encontrar uma definição que possa abranger diferenças formais tão grandes como aquelas entre The Canterbury Tales de Geoffrey Chaucer e Oku no Hosomichi de Matsuo Basho, bem como as diferenças no contexto que abrangem a poesia religiosa Tanakh, poesia romântica e rap.[6]
O contexto pode ser essencial para a poética e para o desenvolvimento do gênero e da forma poética. Poesias que registram os eventos históricos em termos épicos, como Gilgamesh ou o Shahnameh, de Ferdusi,[7] serão necessariamente longas e narrativas, enquanto a poesia usada para propósitos litúrgicos (hinos, salmos, suras e hadiths) é suscetível de ter um tom de inspiração, enquanto que elegia e tragédia são destinadas a invocar respostas emocionais profundas. Outros contextos incluem cantos gregorianos, o discurso formal ou diplomático,[8] retórica e invectiva políticas,[9] cantigas de roda alegres e versos fantásticos, e até mesmo textos médicos.[10]
O historiador polonês de estética Władysław Tatarkiewicz, em um trabalho acadêmico sobre "O Conceito de Poesia", traça a evolução do que são na verdade dois conceitos de poesia. Tatarkiewicz assinala que o termo é aplicado a duas coisas distintas que, como o poeta Paul Valéry observou, "em um certo ponto encontram união. [...] A poesia é uma arte baseada na linguagem. Mas a poesia também tem um significado mais geral [...] que é difícil de definir, porque é menos determinado: a poesia expressa um certo estado da mente.[11]

Gêneros poéticos

Mar Salgado.ogg
Poesia lírica recitada com a epígrafe Mar Salgado
Permitem uma classificação dos poemas conforme as suas características. Por exemplo, o poema épico é, geralmente, narrativo, de longa extensão, eloquente, abordando temas como a guerra ou outras situações extremas. Dentro do género épico, destaca-se a epopeia. Já o poema lírico pode ser muito curto, podendo querer apenas retratar um momento, um flash da vida, um instante emocional.
Poesia é a expressão de um sentimento, como por exemplo o amor. Vários poemas falam de amor. O poema, é o seu sentimento expressado em belas palavras, palavras que tocam a alma. Poesia é diferente de poema. o Poema é a forma que se está escrito e a poesia é o que dá a emoção ao texto.

Licença poética

A poesia pode fazer uso da chamada licença poética, que é a permissão para extrapolar o uso da norma culta da língua, tomando a liberdade necessária para recorrer a recursos como o uso de palavras de baixo-calão, desvios da norma ortográfica que se aproximam mais da linguagem falada ou a utilização de figuras de estilo como a hipérbole ou outras que assumem o carácter "fingidor" da poesia, de acordo com a conhecida fórmula de Fernando Pessoa ("O poeta é um fingidor").
A matéria-prima do poeta é a palavra e, assim como o escultor extrai a forma de um bloco, o escritor tem toda a liberdade para manipular as palavras, mesmo que isso implique romper com as normas tradicionais da gramática. Limitar a poética às tradições de uma língua é não reconhecer, também, a volatilidade das falas.

Poesia Contemporânea

A poesia contemporânea está a ser produzida com palavras que pulam para “fora da página”. A nova corrente literária, que explora a plataforma da Web não apenas em termos de divulgação, mas também no que se refere à criação, tem chamado a atenção dos estudiosos. O professor Jorge Luís Antônio, autor do livro Poesia Digital: teoria, história, antologias, afirmou a um jornal brasileiro sobre esses artistas recentes: “Alguns fazem apresentações em público, na mesma linha dos dadaístas do Cabaret Voltaire, no começo do século 20. Outros fazem poesia ‘cíbrida’ [contração de ‘híbrido’ e ‘cibernético’], com uso de arte,design e tecnologia. O importante é que todos focam nos aspectos poéticos”.

Considerações Semiológicas

A poesia digital é marcada pela natureza multimidiática. A palavra ganha novos valores ao interagir com recursos sonoros e de vídeo. Não raro é o uso da tridimensionalidade para efeitos de criação artística. Ela pode ser considerada resultado de negociações semióticas com a tecnologia; são elas a mediação, transmutação e intervenção. A mediação poeta-máquina possibilita a assimilação de neologismos e conceitos tecnológicos, ambos aplicados como temas e expressões poéticas. É quando o poeta realiza a semiose (no sentido peirciano) poesia-computador, tomando conhecimento do significado cultural da máquina, que passa a ter valor em sua arte verbal. Outro nível de mediação ocorre na mudança da função predominante da máquina – de pragmática, referencial e objetiva para poética. Isso se dá quando o poeta assimila a linguagem da máquina e intervém nela, lançando mão da criatividade de que dispõe.

Contexto histórico


A fundição de ferro em blocos, Herman Heyenbrock
A relação entre poesia e tecnologia assemelha-se a alguns conceitos da literatura na medida em que repete as teorias “imitativa” e “expressiva” da arte (o Realismo). A realidade interior e exterior é simulação para a tecnologia computacional e a expressão é uma recriação do mundo tecnológico através da arte da palavra. O tecnopoeta, ciente de tal tecnopólio, que é avassalador, encontra-se cercado de uma realidade tecnocentrista que se lhe serve como linguagem poética. Da mesma forma, o poeta romântico na Revolução Industrial criava um mundo subjetivo e idealizado como resposta à realidade extenuante da industrialização. A linguagem tecnológica se transforma em tecnopoética, sedo que a cultura não se rende à tecnologia, mas sofre a intervenção do poeta para fazer dela outra forma de comunicação.

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